Todas as minhas namoradas passadas, presentes e futuras tiveram, têm e terão em comum o facto de baterem muito mal. Não que se trate de casos de esquisofrenia, muito menos hibefrénica, isso não. Mas é um bater mal feminino, cheio de amuos e silêncios, um grito ou outro e eu ponho aquela cara de ponto de interrogação, estilo "donde é que isto vem", o que é que eu fiz desta vez" que não ajuda absolutamente nada à situação. Agora vai uma inquirição-crime e depois logo se continua com isto. Por incrivel que pareça, a inquirição começou à hora, o que me permite deixar para lá a Justiça (com maiúscula, corror) e tratar de coisas bem mais sérias como esta do mau bater. Além dos silêncios e amuos, do tal grito mais ou menos estridente, outras vertentes existem dignas de menção, verbis gratia o arremesso de objectos - neste particular as hipóteses são infindas - e confesso já ter visto voar copos de vidro ( de plástico, nem um para amostra!), telemóveis, um Mercedes Classe A, o Yaerbook da Chamber's de capa dura e um set de bondage novinho em folha. Este exercício de lançamento do peso é acompanhado normalmente de choro seco entrecortado de soluços e frases incompreensiveis e do notório acelerar do ritmo cardíaco. Constitui falta grave soltar qualquer frase de tom humorístico ou incentivar a praticante com aplausos e éferréàs durante tal execução. Boa prática advinda da experiência ensina que se deve previamente adquirir uma mala, de preferência de côr vermelha de sangue, que contenha uma panóplia de bens destinados ao arremesso e ter em casa um local próprio para tal fim, mormente uma parede revestida a esferovite que conterá ou não um alvo com pontos, conforme o local a ser atingido que nunca é aquele que foi visado. E, claro, um caderno onde serão apontados os scores atingidos por cada participante. Mandam as regras da boa educação que, passada a crise, se enalteça a praticante com frases apropriadas do estilo "já vi muitas birras, mas nunca nenhuma tão conseguida como esta" ou "Se isto fosse os Jogos Olímpicos punhas a Adília Silvério num chinelo". Depois da prática desportiva acima relatada deve ser sempre preparado um bom banho de imersão com sais que não sejam do Lidl, uma flute de champagne Brut, seguido de um jantar em que as entradas terão forçosamente de conter ostras, a temperar com limão e, quanto muito, um pouco de sal e azeite. Plus rien!